Põe no rótulo!

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Eis que, para a proteção dos filhotes, pais viram ativistas em prol da campanha #Põenorótulo. Vamos abordar aqui os principais malefícios da falta de clareza nos rótulos de produtos industrializados que, devido à circunstancias muitas vezes maiores que nós mesmos, temos que oferecer aos nossos pequenos. 

Do ponto de vista nutricional, essa questão envolve todos os consumidores, mas a preocupação é ainda maior quando se trata de uma criança alérgica a determinados componentes. Pensando nisso, fizemos uma leitura minuciosa de cartilhas desenvolvidas sobre o assunto, e esboçamos um guia a fim de desmistificar, alertar, prevenir e ajudar os pais a lidarem com esse problema.

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Rótulo

O que é?

É o documento oficial, disponibilizado na embalagem, que contem – ao menos deveria conter – todas as informações sobre o produto, sua utilização correta, recomendações que contribuam para a escolha adequada do ponto de vista nutricional e a forma correta de conservação e preparo.

Como fazer a leitura? Fonte

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Lista de Ingredientes

A relação de ingredientes de um produto segue a ordem decrescente, isto é, o primeiro ingrediente da lista está em maior quantidade no produto e o último, em menor quantidade. Verificar os ingredientes que compõem um produto é importante para identificar o que estamos consumindo.

Origem

A origem do produto indica quem é o fabricante e onde o produto foi fabricado. Essas são informações importantes não só para conhecer a procedência de um item, como também para avaliar rapidamente a distância que um produto percorreu até à prateleira do mercado. Quanto maior a distância, maior os custos ambientais com o transporte do produto.

Prazo de Validade

Produtos com validade inferir a três meses devem informar, pelo menos, dia e mês de vencimento. Produtos com validade acima de três meses devem informar o mês e o ano. Atenção também para o estado das embalagens. Se apresentarem danos aparentes, como amassados, inchaço ou ferrugem, não adquira.

Para produtos congelados, observe se as embalagens estão úmidas ou com cristais de gelo no interior. Isso pode indicar que a refrigeração do estabelecimento não foi constante e que os produtos sofreram descongelamento.

Conteúdo Líquido

Deve indicar a quantidade total do produto contido na embalagem, podendo ser expresso em unidade de massa (quilo) ou volume (litro).

Lote

É uma referência importante, pois permite a rastreabilidade do processo produtivo. Se o produto apresentar algum problema, esse controle da produção permite analisar se a ocorrência foi pontual ou abrangeu todo o lote.

Informação Nutricional Obrigatória

Trata-se daquela tabela que apresenta as informações nutricionais do produto. Veja um exemplo:

A leitura atenta desse item é importante para fazermos escolhas mais saudáveis. Na tabela deverão estar indicados:

  • Porção: quantidade média do alimento a ser consumido por uma pessoa sadia, de forma a manter uma alimentação saudável.
  • Valores de referência: Cada nutriente apresenta um valor diferente para se calcular o %VD. Veja os valores diários de referência atualmente utilizados:
    • Valor energético: 2000kcal / 8.400kJ;
    • Carboidratos: 300g;
    • Proteínas: 75g;
    • Gorduras Totais: 55g;
    • Gorduras Saturadas: 22g;
    • Fibra Alimentar: 25g;
    • Sódio: 2400mg;
    • Não há valor diário para as gorduras trans.
  • Percentual de Valores Diários (%VD): percentual que indica a energia e os nutrientes que aquela porção representa segundo uma dieta de 2000 calorias.
  • Medida Caseira: indica a porção de um alimento segundo uma medida usada pelo consumidor, tais como: fatias, unidades, pote, xícaras, copos, colheres de sopa. Informar a medida caseira é obrigatório.

O que significam os componentes da tabela nutricional?

Entenda o que significa cada componente da tabela:

Valor Energético

Corresponde à quantidade de energia produzida pelo nosso corpo a partir do consumo de carboidratos, proteínas e gorduras. É expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kj), sendo 1 kcal equivalente a 4,2 kj.

Carboidratos

São os componentes dos alimentos que fornecem energia para nossas células, principalmente para as células cerebrais, encontradas em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, entre outros.

Proteínas

São os componentes  dos  alimentos  usados na  construção  e  manutenção dos nossos órgãos, tecidos e células, encontrados nas carnes, ovos, leites e derivados, e nas leguminosas (feijões, soja e ervilha).

Gorduras Totais

As gorduras são as principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K.

Gorduras Saturadas

São as gorduras provenientes de alimentos de origem animal, como carnes, queijos, leite integral, manteiga, entre outros. Devem ser consumidas de forma moderada, uma vez que seu consumo em grandes quantidades está associado ao desenvolvimento de doenças do coração.

Gorduras Trans ou Ácidos Graxos Trans

É a gordura presente em alimentos industrializados que utilizam gorduras vegetais hidrogenadas na sua preparação, tais como biscoitos, sorvetes, salgadinhos, entre outros. O consumo desse tipo de gordura deve ser mínimo pois, em grande quantidade, pode aumentar muito o risco do desenvolvimento de doenças do coração.

Fibra Alimentar

Presente nos alimentos de origem vegetal, a ingestão de fibras é fundamental para o bom funcionamento do intestino, além de retardar a digestão dos alimentos e promover uma maior sensação de saciedade.

Sódio

Presente tanto na cozinha quanto nos alimentos industrializados, seu consumo deve ser moderado, pois, em excesso, pode promover retenção de líquidos e um aumento na pressão arterial. Recentemente, Especialistas da Universidade de Harvard declaram guerra ao sal de cozinha. Segundo eles, o sódio é o maior culpado pela epidemia de hipertensão nos EUA e que a doença deve afetar nove entre dez americanos.

O direito à informação

Hoje, não há legislação que obrigue os fabricantes a expor em destaque, nos rótulos dos produtos, a presença de alérgenos e nem a se referir ao risco de contaminação cruzada no processo de produção.
Os consumidores interessados no assunto se obrigam a consultar os serviços de atendimento ao cliente ou a compartilhar informações com grupos de alérgicos, para checar se determinado alimento ou bebida oferece algum risco à sua saúde ou de seus familiares e amigos.

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“Contaminação cruzada”. O que significa? 

Durante as várias fases do processo de produção de um determinado produto, há o risco desse tipo de contaminação, com consequente risco da presença de resquícios de ingredientes alergênicos que podem estar presentes em um dado produto, apesar deste não conter a substância como componente. Afinal, o que são “traços de leite”, por exemplo?

Dependendo da sua restrição alimentar ou grau de intolerância à lactose, seja à substância em si ou à proteína do leite, alguns alimentos podem conter traços e sendo assim, serem nocivos à saúde dos alérgicos. Isso acontece na indústria de chocolates, por exemplo, quando um produto sem leite é produzido no maquinário de um outro que contenha o próprio ou derivados. Essa quantidade mínima de partículas do alérgeno é extremamente prejudicial e deveria ser alertada logo no rótulo.

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Com lei ou sem lei, fabricante CONSCIENTE tem rotulagem EFICIENTE. Afirma a página ativista.

A importância da informação

Atenção na hora de escolher o material para as atividades pedagógicas do seu filho. Algumas marcas de giz branco, por exemplo, contém caseína, uma proteína do leite. O trigo (glúten) está em diversos materiais, incluindo as massinhas de modelar. O uso de materiais recicláveis, mesmo que bem lavados, podem guardar resíduos de composição do produto armazenado anteriormente A importância da leitura do rótulo se faz necessária aqui também.

Em comunhão com a escola

Crianças alérgicas necessitam de atenção especial amparada por lei. A unidade escolar deve se preparar, fazer uso de cardápio específico para crianças com alergia alimentar e ter a preocupação em inserir a criança nas atividades ligadas à alimentação e ao uso de produtos que tenham determinadas substâncias em sua composição. A criança com alergia alimentar é completamente normal e não deve ser excluída das atividades, é preciso apenas ter alguns cuidados: um sistema de colaboração mútua para que a criança com alergia seja compreendida e se sinta verdadeiramente acolhida. Não é necessário e, muito menos recomendado, isolar a criança do lanche e das brincadeiras que envolvam comida. As crianças amam o coletivo e além do mais, os coleguinhas podem se sentir preteridos sem o mesmo cuidado, e as interações sociais podem ser afetadas.

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Como é sabido, não é possível confiar em rótulos de embalagens que, em sua maioria, não apresentam com clareza os componentes. Além do mais, há as dificuldades de compreensão muito comuns: lista de ingredientes apresentada com uma letra muito pequena, uso de nomenclaturas diferentes das habituais e a falta de informação sobre o risco de traços de alérgenos, equívocos por parte da empresa, que podem gerar desinformação e até mesmo perigos mais graves.

Sendo assim, só se pode oferecer um alimento após contato com o SAC. As famílias costumam ter uma listinha de alimentos seguros (tipo de alimento e nome da marca), logo, vale compartilhar a informação com todos os envolvidos na educação e no cuidado da criança.

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