Projeto Cegonha – De mãe pra mãe

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A vontade já existia há algum tempo, mas só no fim de 2014 que meu marido e eu finalmente tomamos a decisão. Com nosso filho, Felipe, perto de completar três anos, resolvemos tentar engravidar pela segunda vez. Mesmo com todas as expectativas e incertezas que uma decisão como essa envolve, a alegria está sendo imensa. Então pensei em aproveitar a oportunidade, agora mais madura e experiente graças à primeira gestação, para escrever um Projeto Cegonha. A ideia foi criar uma narrativa do dia a dia a fim de poder partilhar esses momentos emocionantes, e às vezes tão difíceis, com outras mães ou futuras mamães, de primeira viagem ou não.

A minha intenção tem sido descontruir um modelo idealizado de maternidade. Ao tentar engravidar do Felipe, e depois durante a gravidez, passei por diversas dificuldades: engordei 20 quilos, minha autoestima baixou, vivi crises no casamento e tive muito medo, inclusive do parto e do pós-parto. Ao longo de todo esse período, senti falta de uma literatura que antecipasse, com uma abordagem menos científica, o que seria o meu novo cotidiano.

Com a minha primeira gravidez fiz nascer também a Agendinha Carioca, guia de sobrevivência para pais descolados na qual apresento profissionais e serviços no Rio de Janeiro voltados para a criança, que inspirou a criação desta coluna que vocês acompanham aqui na revista. Já no Projeto Cegonha, faço revelações de caráter mais pessoal acompanhadas de algumas das melhores dicas da Agendinha, descobertas que continuo a buscar diariamente. Alimentação e malhação, por exemplo, são temas que despertam bastante interesse na rede, entretanto, nunca me identifiquei com o modelo de mulher obcecada por dieta e corpo ideal. Acho que existe um universo de pessoas que, assim como eu, gostariam de comer melhor, porém sem radicalismos. Bem como perder alguns quilos, sem almejar uma barriga tanquinho.

Antonia Leite - Foto Anna Fischer

Meu parto foi normal e me senti uma vitoriosa no país cujo índice de cesarianas na rede particular é de 88%. No entanto, o Felipe teve uma complicação enquanto estava no berçário e precisou ficar quatro dias internado na UTI. Assim, tive de lidar muito cedo com o medo de perder aquele ser que eu mal conhecia e já amava tanto.

Minha grande sorte foi ter leite em abundância para que meu filho mamasse exclusivamente no seio até completar seis meses e ainda para doar parte da “produção” para o Instituto Fernandes Figueira. Por outro lado, a amamentação me afastou do meu marido, pois não conseguimos preservar o clima de romance. Foi aí que tomei a decisão de desmamar o bezerrinho, uma das mais difíceis da minha vida. Fiquei grávida com semanas de diferença da minha cunhada, o que tem sido maravilhoso, pois nossos filhos são primos unidos. Mas também são alvo de constantes comparações. Quantas mulheres não sobem e descem nessa gangorra emocional? Esse é o público para o qual eu escrevo.

Projeto Cegonha - Foto Milk Studio

Outros assuntos complexos, como escolha do nome, uso de chupeta, opção ou não pela circuncisão têm promovido uma troca rica com os seguidores. Pretendo ajudar as mães a escolher as atividades mais adequadas durante a gravidez, a preparar seu chá de fraldas e a organizar a casa para receber o novo morador. Me lembro bem que até para entrevistar uma babá precisei recorrer à ajuda de amigas experientes. Não sabia nem o que perguntar…

Acompanhe o Projeto Cegonha pelo site www.projetocegonha.com.br ou pela página no Facebook 

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