Mesa intocável

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Aquela dúvida que dá toda vez que se chega num aniversário: “pegar ou não alguns doces antes do parabéns?” Antonia Leite Barbosa reflete, de modo divertido, sobre a questão que cerca todos nós. 🙂

Nada me chateia mais do que a convenção de não servir doces em festas antes do parabéns. Entendo que uma mesa decorada precisa sair bem na foto ao soprarem as velinhas, mas passar horas admirando sem poder degustar é muita tortura. Acaba que eu, que sou chocólatra assumida, me coloco sempre no constrangedor papel de ir comendo pelas beiradas, agindo clandestinamente para saciar o desejo por um docinho antes da hora.

Quanto mais festa de criança frequento com os meus filhos, mais habilidosa vou ficando na arte de subtrair brigadeiros. O componente adrenalina também entra em cena quando percebo que há um cão de guarda em ação. Na festa de um querido que fui recentemente esperei a moça em questão se distrair numa conversa para surrupiar da mesa um cupcake. No que virei de costas escutei ela reclamar com uma colega “como alguém conseguiu desfalcar a mesa sem que eu percebesse?”. Já no aniversário do meu sobrinho, no fim de outubro, os doces foram arrumados em blocos simétricos e foi um desafio e tanto comer um brigadeiro e reorganizar o que sobrou sem deixar vestígio. Deu certo. Não em uma, mas em três incursões à mesa antes do parabéns.

Quando me casei, em 2009, fiz questão de espalhar doces pela casa desde o início da festa. Acho que reservar uma quantidade para fora da mesa é uma atitude generosa com os convidados formigas. Pode ser uma bandeja apenas, num aparador no canto da sala. Não precisam ser muitos, basta que esteja ali presentes passando uma mensagem de “welcome”.
Num determinado momento das minhas bodas os garçons circularam com bandejas de doces pendurados no pescoço, no melhor estilo baleiro de porta de cinema. Reforçaram a glicose da turma e foram degustados por pessoas que jamais teriam ido até a mesa se servir. #ficaadica
Doce nunca é demais e outra regra de ouro é que sejam fartos, que sobrem pro enterro dos ossos no dia seguinte e para a alegria dos convidados quem quiser levar alguns pra casa. Tem anfitrião que até coloca à disposição marmita chique, caixinhas normalmente de papelão, isopor ou acrílico. Na minha infância era mais simples: o que cabia num copinho de plástico. E como esses doces faziam a alegria do dia seguinte!

2 Comentários

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    Paolla

    19 de novembro de 2015 at 13:33

    Adoro doce, realmente é muita tortura ver uma mesa cheia de doces e não poder pegar nenhum. Adorei a dica que vc usou no seu casamento 😉

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    ANA BEATRIZ

    17 de julho de 2016 at 10:51

    Achei maravilhoso esse seu comentário sobre doces para fartar a santa gula dos convidados formigas!Eu mesma já me vi vigiando as mesas como general e como é constrangedor. Ah! A sobra para o dia seguinte é como brisa em dias de calor! Amo.

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