Coletivizando o saber: entenda o que são as bibliotecas comunitárias!

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PROMOVA INTERAÇÕES DO SEU FILHO COM OS LIVROS DESDE CEDO. SAIBA MAIS SOBRE AS INICIATIVAS QUE ESTÃO DESPONTANDO PELAS CIDADES, EM UM SISTEMA TOTALMENTE COLABORATIVO: CONEXÃO LEITURA.

Os livros são os atores principais dos encontros recheados de atividades formativas e brincadeiras literárias. Não é difícil encontrar ações como essa. Se você não é da cidade do Rio de Janeiro, procure por elas dentro da sua localidade. Mas, se não há nenhum projeto desse âmbito, fomente a ideia você mesmo. O carinho em promover a leitura das crianças, desde muito cedo, ou a reinserção de jovens à educação, desponta a audácia de tocar um sistema independente, totalmente colaborativo. E que funciona!

À exemplo disso, as Bibliotecas Comunitárias do Rio – iniciativas autônomas dentro das comunidades – se uniram e consolidaram a rede Conexão Leitura. Não rompesse com as características dos coletivos, essa foi a principal meta da organização. A gestão continua sendo comunitária, mas através da rede, houve um maior fortalecimento do grupo e as diferenças agora podem ser trabalhadas como um potencial a mais.

“Um Rio de leitores”. Essa é avidez do grupo em pleno serviço da solidariedade. Eliane Jordy, doutoranda e pesquisadora do Laboratório de Design e Educação (LIDE), visitou o polo Ateliê das Palavras, integrante da rede, e criou uma semente desse projeto em São Tomé, na África. Após conferir de perto e agora fazer parte desse sistema, conclui que a iniciativa pode ser mote para ampliar a visão das crianças, algo que se aproxima da filosofia de Walter Benjamin, que diz:  “Ao elaborarem histórias as crianças são cenógrafos que não se deixam censurar pelo sentido. Suas descobertas serão feitas quando elas tiverem mais tempo de usufruírem o espaço de leitura e, em certa medida, adquirido a autonomia necessária para construírem suas trajetórias como leitores.”

Resolvemos visitar o Ateliê das Palavras, situado na Mangueira, onde Kelly Louzada, idealizadora e organizadora do núcleo, nos contou um pouco da história do coletivo. Nem precisamos dizer o quanto saímos inspiradas em “fazer acontecer”, não é mesmo?

Livros infantis para todas as idades

“A chegada dos livros é mediada pela gestão de cada espaço. Quando há sobra em um determinado polo, o remanescente é enviado a outros. Essa comunicação é crucial para as crianças de outras regiões. A captação desse material é feita pela inscrição em editais, mas há muitas doações também. Nós, quanto rede, almejamos um plano conjunto com o Estado, sermos equipamento dele. Porquê se hoje nós existimos dessa forma quase que institucionalizada, é para atender onde ele é completamente ausente. Somos amantes do projeto, é claro, mas mais do que isso, necessitamos sermos capazes. Então, buscamos essa capacitação em cursos de formação e através da vivência individual. Cada um aqui possui uma história dentro de coletivos de rua. Quando alguém chega para somar, é preparado para que possa vir a ser um monitor, educador e manter junto essa construção. Eu não sou eterna, mas trabalho para que esse projeto seja. Esse é o meu legado, assim como foi com a Mônica, idealizadora que já nos deixou.” conta Kelly.

Literatura e trabalhos manuais lúdicos de crianças

Hoje, somente na sede Ateliê das Palavras, há mais de 400 atendimentos semanais e todo um planejamento voltado para as questões sociais e de gênero, a fim de implantar temas que abordem a diversidade. O espaço é repleto de livros, mas nota-se que as descobertas das crianças são estimuladas prioritariamente. Para isso, há o contato com as artes plásticas e a tecnologia. “A ideia da informática, por exemplo, não é ser uma aula, e sim, para que a criança tenha acesso à máquina. Nós permitimos o conhecimento através da experimentação, assim como no Dia do Livre, em que a criança brinca. Exatamente isso. Criança tem que brincar e se divertir!” explica ela.

LIBERTAR LIVROS, LIBERTAR PALAVRAS

criança-leitura-livro

“Nós não fazemos contação de histórias. Nós lemos a história, na íntegra. Contação é quando você lê a história, entende e transmite à sua maneira. Nós enaltecemos o objeto: livro. Por isso fazemos rodas de leitura itinerantes. Nós acreditamos que a leitura tem que sair desse espaço e conquistar outros, esse é o seu trabalho.”

A iniciativa parte do princípio “o enraizamento comunitário”. Promova ideias e não pessoas. Faça parte de um coletivo. Fomente ações culturais pelas cidades. Crie!

Para saber mais sobre o Conexão Leitura e o polo Ateliê das Palavras, é só acessar o site. Lá, há outros endereços de núcleos pela cidade do Rio. Vale à pena visitar com o seu filhote! Ah, uma agendinha de eventos itinerantes também está disponível.

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